Fora da caridade
"Fora da caridade não há salvação."
Mas que caridade é esta a que, desde Jesus até aos dias de hoje, os mentores se referem?
Será que se referem apenas a algo material, como comida, roupa, entre outros bens? Será que a verdadeira caridade é simplesmente material?
Não quero dizer que a caridade material esteja errada. Não, essa caridade deve ser praticada. Devemos ajudar o nosso semelhante que não tem pão. Contudo, existe uma outra forma de caridade, muito mais importante, sem a qual estamos verdadeiramente mortos.
É a caridade da evangelização. Essa é a maior e a mais importante forma de caridade, pois, sem ela, estamos perdidos e sem rumo, e o que nos espera é o sofrimento.
Foi por isso que Jesus disse: «Deixai os mortos sepultar os seus mortos.» Referia-se ao espírito e à espiritualidade, àqueles que ainda não têm direção.
Não digo que seja fácil evangelizar, mas essa é uma tarefa de todos aqueles que se intitulam trabalhadores da última hora. Aquele que se esquecer d'Ele ou d'Ele se envergonhar, ouvirá: «Não te conheço.»
Estas palavras de Jesus remetem para a evangelização que podíamos ter realizado, mas que julgámos não ser oportuna, por receio do escárnio. Por maior que seja o escárnio, o importante é lançar a semente na terra da ignorância. Um dia, ela florescerá, se houver semente.
Essa é a verdadeira caridade, aquela que Jesus praticou. Foi por isso que foi crucificado: por vir lançar as sementes no terreno árido dos corações endurecidos pela materialidade, pelo orgulho e pela vaidade.
Por isso, irmãos, não percamos tempo e evangelizemos onde julgarmos mais difícil fazê-lo, onde julgarmos até impossível. Essa é a verdadeira caridade, aquela a que Jesus e os mentores do bem se referem.
Evangelizemos, sim, onde não existe sequer uma leve sombra de conhecimento, onde não existe a menor sombra do bem nem do caminho da luz.
Busquemos o terreno que precisa de ser trabalhado, e não aquele que já está cultivado.
